Eu acredito mesmo que nós não somos mais do que uma amálgama das nossas influências. Que os objectos que escolhemos para serem nossos e os meios onde nos movemos contam a história de quem somos e queremos ser.

Durante o nosso último workshop, enquanto falávamos da importância de nos rodearmos de coisas bonitas, alguém disse: “Isso para vocês é fácil, é-vos natural. No meu dia-a-dia não é assim.”. Eu, Fred, posso garantir-vos que o lado bonito da vida nunca foi natural para mim. Eu precisava de um candeeiro que funcionasse, não precisava que ele fosse bonito, ou pelo menos achava eu.

Desde que passei de consumidor a produtor de blogs, que a minha vida mudou muito. Percebi rapidamente que o momento de inspiração não acontece antes de arrancar um trabalho mas sim todos os dias, a toda a hora. Percebi que tudo o que sai das minhas mãos, de uma fotografia até ao bolo que faço para o lanche, são fruto daquilo que eu escolho ver e consumir.

A partir do momento que entendi que tudo era uma escolha, tentei fazer as escolhas certas, sem sacrifícios ou sofrimentos. Foi um processo demorado e que continua a acontecer, rodear-me apenas do bonito e positivo.  Passei a escolher a rua que me leva para casa porque era mais bonita, deixei de ir beber café ao sítio da esquina para andar mais 50 metros e escolher o sítio bonito, passei a fazer compras nas lojas pequenas porque as pessoas são mais simpáticas, larguei o rádio e passei eu a fazer a selecção de música que quero ouvir, tirei a televisão de casa porque nada por lá me inspirava, deixei de ver sites/blogs só porque outras pessoas o fazem, passei a sorrir mais vezes para desconhecidos, comecei a dar importância aos detalhes e nunca mais comi numa mesa que não esteja arranjada (mesmo que jante sozinho).


Epicuro escreveu: “faz tudo como se alguém te contemplasse” e eu não podia estar mais de acordo. A minha vida mudou muito, sou uma pessoa melhor, mais positiva e muito objectiva. O meu trabalho melhorou e o meu sentido estético, assim como os meus bolos, está cada vez mais apurado. 
Ainda há trabalho para fazer e caminho para percorrer mas posso garantir-vos, irão ser pessoas muito mais felizes quando abrirem portas ao lado bonito da vida.

12 respostas

  1. Gostei tanto deste post 🙂
    Sem dúvida que me conseguiram passar esta mensagem no workshop e me inspiraram a querer seguir este caminho! Também para mim este não é um processo instintivo, tem de ser pensado, racionalizado.
    Mas aos poucos, e à medida que vou aplicando o que aprendi (e olhem que aprendi muito e já apliquei muito) vou vendo os resultados. E afinal não é tão difícil. É apenas outro caminho, um pouco mais lento, mas muito mais proveitoso!
    Obrigado por me inspirarem a querer fazer coisas mais bonitas! 🙂

  2. Adorei o post e identifico-me bastante com ele 🙂 confesso que após ter lido os teus exemplos me deparei a refletir, que talvez no meu dia a dia já tivesse tendência para associar o bonito ao útil, talvez porque os meus olhos estão constantemente a fotografar, mas que por vezes seja um pouco trapalhona para os enquadrar noutras coisas ou noutros lugares 🙂 😛
    Obrigada pelo vosso post é bastante inspirador e sem dúvida a partir de hoje irei olhar para tudo com outra perspectiva 🙂

  3. Oh que post tão bonito!
    Gostei mesmo muito e concordo com cada palavra. E as fotos combinam tão bem com as palavras. Bonitas e inspiradoras!
    Obrigada por toda a partilha que aqui fazem:)

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