Quem nos acompanha, aqui no blog, já percebeu que somos apaixonados por animais e temos alguns cá por casa. O Fred tem o Doug, e eu tenho a minha Alice e o meu Preto, dois gatos com uma diferença de 9 anos. Quase todos os nossos amigos têm animais também, dividimo-nos entre cães e gatos, apesar de não sermos pessoas de uns ou de outros, deliramos com qualquer um deles, e adoramos todos os nossos sobrinhos.
Infelizmente há ainda quem os adopte sem pensar no real compromisso que está a fazer, só porque são pequenos e engraçados. Hoje apeteceu-nos falar disso, da responsabilidade que é trazer um patudo para casa, até porque já tenho aqui quase um idoso e ao longo destes 10 anos os sustos foram muitos, apesar das alegrias terem acontecido em maior número.

Já não consigo imaginar a minha vida sem estes dois em casa. Vivo com eles, e por isso chegar e ter quem espera por mim é a melhor coisa de sempre. Hoje quis falar deles, porque há pessoas que gostam de etiquetar os cães e os gatos, assumir que têm comportamentos idênticos, e eu acho que eles são como nós, com personalidades muito diferentes. A prova tenho-a em casa, com dois gatos completamente diferentes e que em comum têm o facto de serem uns doces. 
Então aqui vão algumas coisas que devem saber sobre os gatos:

1. Há gatos que dão beijinhos
O meu gato mais velho nunca foi de colo, e de mimos gosta, mas se a coisa for unidirecional, ou seja, tudo para o lado dele. Sempre foi um esfomeado (daí já ter pesado 9,800kg) e a primeira coisa que fazia quando eu chegava a casa era correr para a cozinha, sempre a olhar para trás para ver se eu estava a segui-lo para lhe dar o que ele queria.
A Alice é a coisa mais mimada desta vida, dá-me beijinhos, isso ou acha que eu preciso de banho várias vezes por dia) gosta dos meus e está sempre a ronronar. Se chego a casa e lhe dou comida ela não quer saber dela até levar primeiro uma boa dose de mimos.

2. Os gatos pedem brincadeira
Enganem-se aqueles que acham que os gatos brincam com o que mexe e se mexe. Tenho dois cá em casa e ok, um só quer estar deitado a olhar para as pombas, mas a Alice chega a ser chata de tanta brincadeira que quer. E por pedir brincadeira digo mesmo saltar para cima da mesa com brinquedos na boca, largar, olhar para mim e miar. Às vezes também acordo com uma fita cor-de-rosa em cima da almofada, o brinquedo preferido da Alice. Ela sabe que sou eu que mexo as coisas porque se paro há logo reclamação (ando a fazer vídeos para vos mostrar).

3. Os gatos não gostam de estar sozinhos
Pode haver algum que até goste, mas os meus cá de casa definitivamente não gostam. Se passarem muitas horas fora de casa ao chegarem são recebidos com reclamações. E a prova de que eles preferem companhia é a quantidade de vezes que mudam de sítio só para estarem na divisão em que eu estou. Os meus gatos têm uma cama na sala e outra no escritório, porque antes abancavam aqui mesmo em cima da minha mesa a dormir. E se eu vou à casa de banho, eles também vão! :p
Se puderem tenham dois gatos e não um. Para vocês o trabalho é o mesmo ou até menor, porque eles distraem-se uns com os outros e são mais felizes.

4. Se ele decidir que sim, o sofá é dele
Pois, quem tem gatos sabe que não vale a pena orientá-los na hora do descanso. Se eles acharem que o vosso sofá é melhor que a cama deles eles apropriam-se dele, de um canto específico até, para toda a vida. O mesmo se passa com algum prateleira aí de casa ou algum armário. Na sala, por exemplo, o Preto está sempre comigo no sofá (se eu lá estiver, senão ele prefere a cama dele) e a Alice no cadeirão. Se tenho visitas sentadas no cadeirão ela vai para cima delas e quem quiser que se arrume. Não se chateia, mas também não deixa de ir para o sítio que é o dela.


 

5. Os gatos sabem receber
Quando decidi adoptar um segundo gato, a ideia era que o primeiro ficasse menos dependente de mim (sim, dependente, os gatos conseguem sê-lo) e tivesse companhia quando eu estava fora e mais brincadeira cá em casa. No entanto, ter um gato que durante anos esteve sozinho, pesa quase 10kg, e não sabe o que é ter outro gato em casa, assustou-me mesmo muito!
O meu maior medo era que ele saltasse para cima do gato bebé e o desfizesse em 3 segundos. Felizmente tive ajuda nesta fase de adaptação, e a verdade é que por muito que a coisa o tivesse chateado, ele sempre teve cuidado com a mais pequena que era só destemida e muito atrevida.
A reacção dele foi só de curiosidade, e a dela era imitá-lo em tudo! Se ele ia comer ela ia comer, e na mesma taça, se ele ia beber água ela também a queria. E o meu Preto de 10kg em vez de lutar por comida ou água arrumava-se e deixava-a fazer o que quisesse. Hoje já têm as discussões deles, mas ela é apaixonada por ele e nem lhe deu hipótese de ele não gostar dela.
Tive ajuda preciosa para não entrar em pânico nos primeiros dias e tive sorte com esta gata amorosa e persistente.

 

6. A casa-de-banho tem de estar limpa
E isto faz todo o sentido porque ninguém gosta de ir a uma casa de banho suja. Eu tenho duas caixas de areia para dois gatos, mas o quê que acontece? Eles ignoram a segunda e enfiam-se os dois na primeira, às vezes ao mesmo tempo! A casa de banho tem de ser limpa todos os dias porque se eles acham que já está suja podem fazer o xixi em qualquer canto da casa e com razão. eu tenho de ter cuidado extra com a minha porque serve dois gatos, dois gatos teimosos que têm duas casas de banho mas acham mais lógico ir sempre à mesma.

Não me vou esticar mais, se me deixassem passava aqui o dia a falar deles e de como os adoro. Os meus gatos são capazes de me deixar bem disposta, de me fazer rir e a falar sozinha em casa. Quando um fica doente até eu fico com dores de barriga com a preocupação, porque eles não são só coisas que ficam bem nas fotografias, são inteligentes, e sofrem sempre que não estão bem.

Merecem mais de nós do que serem uns bibelots, não é? 🙂
Uma boa quinta-feira, que sabe a sexta-feira, para todos e que o fim-de-semana seja muito bom!

16 respostas

  1. Gatos.. sempre adorei cães, os gatos não me diziam muito. Adoro perdidamente animais, mas gatos era só à distância.
    Agora temos 1 lá por casa, muito parecida com a tua Alice, que apesar de ter a mania que é gata de rua, é nossa e gostamos dela perdidamente. A personalidade dos animais é algo fascinante mesmo 🙂

  2. Só faltou uma coisa: os gatos, mesmo não dando beijinhos nem sendo muito amistosos, mostram afecto pelos donos piscando os olhos devagar. Tenho um miau completamente doido, que não gosta de mimo, tem que ter tudo à maneira dele, e quando chego a casa senta – se a olhar-me fixamente e vai piscando devagar.

  3. 🙂 Não há mesmo dois iguais. E são todos bonitos cada um à sua maneira ♥
    Eu também tenho direito a banho todos os dias e mordidinhas de amor…e patas em cima dos meus desenhos (é uma destravada, anda por cima de tudo) e coisas do género…
    O Preto nestas fotos passa por mais magro 😛

  4. Gostei mesmo muito deste post, porque também acho que os animais são todos diferentes, embora seja possível identificar algumas características comuns, claro.
    Por outro lado, também gostei de ficar a conhecer a ajuda que tiveste, pois cá em casa tem sido precisa ajuda e nem sempre ela aparece. E isso é fundamental, porque se é verdade que trazer um amigo para casa é uma responsabilidade para vida, também é verdade que, como as pessoas, também os gatos ou cães ou outro animal qualquer podem ter problemas que os seus humanos podem não entender e com os quais podem não saber lidar. Ah, "mas o problema pode estar nos humanos", sim, pode, mas isso não implica que os humanos tenham de lidar sozinhos com a situação. O animal não pode nunca ser abandonado, porém os seus cuidadores também não devem sê-lo.
    Tendo um gato ansioso, com tendências agressivas, cujas causas nunca conseguimos perceber bem, a nossa co-existência não tem sido só um mar de rosas, muito pelo contrário. Passámos por muitas fases, como a da total incompreensão do que estava a acontecer, a procura de informação que nos orientasse, o progresso,a regressão, o viver sem confiança na nossa própria casa, a desilusão, o não saber pura e simplesmente o que fazer (e o choro), a procura de ajuda, claro, e também o abandono por parte de quem nos devia ajudar. Nunca o amor pelo nosso patudo deixou de existir, nunca desistimos dele e nunca achámos que ele tivesse desistido de nós, mas sentimos muitas vezes que estávamos sozinhos. Muitas vezes, os cuidadores de animais agressivos são considerados negligentes (há quem ache mesmo que se o animal é assim então os donos também são) ou até mesmo preguiçosos. Em muitos casos e, por experiência própria, sei que isso não é verdade. É essa solidão sentida pelos cuidadores destes animais que leva, muitas vezes, à ruptura entre humano e gato, neste caso. Apesar de tudo, consideramos que o nosso amigo peludo é hoje um gato praticamente reabilitado, que também nós nos reabilitámos e, a três, temos conseguido encontrar a harmonia. Não estou a falar de semanas ou meses difíceis, estou a falar de anos. No entanto, a prova de que acreditamos nele é que que vem um bebé a caminho. Temos algum receio, sabemos que, mais uma vez, não vai ser fácil, contudo esta é a nossa família e estamos aqui uns para os outros.
    Perdoem-me a extensão do comentário, mas é um assunto que de facto me diz muito 🙂

    Inês.

    (www.paperlovetoys.com)

  5. Como tenho um cao e um gato e sempre uma animacao! Aprendem coisas juntos e sao os melhores amigos do mundo, irmaos muito unidos que dormem juntos, beijam se muito e estao sempre a alerta. Onde anda um, anda o outro. O ruca que e o gato aprendeu a pedinchar sentado por comida e o cao o riki passou a rocar se nas pessoas como fazem os gatos =D

  6. Os gatos… cá em casa temos duas princesas felinas, já foram três mas a Lili ao fim de quase 18 anos de vida decidiu partir. Foi uma gatinha muito feliz. Opá, tão engraçado, a Luna (preta) e a Carmén (parda) são tão parecidas com os teus gatos! A Luna e a Carmén são as nossas bolas de pêlo eheh e a Helga (a cadela) tem muito respeitinho por elas! Mas adoram-se umas às outras. É mesmo verdade, os gatos têm personalidades muito vincadas, às vezes surpreendentes, são animais absolutamente maravilhosos.

  7. Tenho uma gata e concordo com tudo! Os gatos são maravilhosos para quem se dedique realmente a eles. São independentes, sim. Mas também são extremamente mimados e carinhosos. A minha, quando não está a fazer a maratona pela casa toda, vem sempre para perto de mim com aquele "mrrrau" como quem diz: vá, faz-me lá uma festa que agora eu deixo 🙂

    Isa,
    http://isamirtilo.blogspot.pt/

  8. Gosto muito do blog e dos conteúdos que postam, muito úteis! Adoraria que postassem um wallpaper para o ambiente de trabalho com o calendário do mês de maio, tal como fizeram para o mês de abril! 🙂

  9. Amei o post! Gatos são maravilhosos. Trabalho em uma ONG aqui no Brasil e sou apaixonada. ♥
    Tenho uma curiosidade, não tem muito a ver com o post: Vcs desenham suas fontes e etc? Gostaria muito de ver um post do WBY sobre mesas digitalizadoras, desenhos digitais e isso tudo. Pensem com carinho! hahaha Admiro muito vosso trabalho.
    Beijinhos

  10. Estou ansiosa por adoptar um gatinho. Há anos que pondero e chegou a hora de o fazer! Mas, apesar do que me dizem, tem sido muito dificil encontrar um gatinho bebé para adoptar. Há algum sítio no Porto que recomendam, onde tratem os bichinhos com muito amor e carinho? Obrigada 🙂 !

  11. e eu podia ter ficado o dia todo a ler sobre os teus gatos! além de serem ultra fotogénicos são amorosos 🙂
    acho que só quem não conhece mesmo gatos pode achar que são todos iguais, demasiado independentes, imprevisíveis e até traiçoeiros (ouve-se muito disto!), porque quem os tem assiste a todas as coisas que referiste e muitas mais. as minhas são uma companhia indispensável, sabe tão bem ter a quem dizer olá quando se chega a casa, a quem dizer bom dia e boa noite! ter um peso (dois, neste caso) na cama durante a noite, adormecer por vezes ao som do ronrom delas… também são muito diferentes, as minhas gatas, e ainda bem, torna tudo mais divertido 🙂
    beijinho, raquel, e obrigada pelo post!

  12. o MEC resumiu os gatos: "O que espanta num gato é a maneira como combina a neurose, a desconfiança e o medo – para não falar numa ausência total de sentido de humor – com o talento para procurar e apreciar o conforto e, sobretudo, a capacidade para dormir 20 em cada 24 horas, sem a ajuda de benzodiazepinas.
    O gato é neurótico mas brinca. (…) Mas, acima de tudo, descobriu o sistema binário da existência.
    Que é: dormir faz fome. Comer faz sono. Acordo porque tenho fome.
    Adormeço porque comi. Nos intervalos, faço as necessidades."
    Acho que é exatamente por isto que os adoro!

  13. Só agora tive oportunidade de ler este post, e não me contive a comentar. Tive uma gata arraçada de persa que durou 18 anos. Era a coisa mais fofinha que conheci, um “peluche andante” nas minhas mãos que gosto de agarrar e dar muitos mimos. Aceitava e adorava mimos, dava beijinhos, gostava de colo e dormir próximo. Não demasiado próximo porque o “casaco de peles” fazia-a rapidamente ficar com calor e ir-se esticar para um pouco mais longe. Custou e ainda custa muito a ausência dela, foram muitos anos, mais de metade da minha vida vivi com ela sempre presente, mais que um familiar, uma amiga confidente e apoiante de todos os meus momentos. Adoro gatos, mas dizia-me incapaz de voltar a ter mais algum. Quem adora gato compreende que isso será quase impossível de acontecer, e foi. Adoptei recentemente uma pequena peste preta, da rua, tinha cerca de um mês, quando a apanhei, encharcada num dia frio de chuva, não pude resistir! E se este meus dois gatos seriam opostos em cores, esta gata em nada tem haver com a primeira. Essa era meiga e pacata, gostava de dormir e fazia poucas asneiras, esta é muito brincalhona e energética, corre, trepa portas, rouba ganchos de cabelo para brincar (e adora) e esconde-se pelos corredores e portas para me saltar aos pés quando passo. Fala, responde com miados constantes ou de reclamação porque perdeu o brinquedo, ou a chamar por mim porque ainda não passei no corredor onde está escondida. Gosta de mimo, mas de uma forma comedida e quando ela quer, umas festinhas quando chegamos a casa, e vir dormir para o colo quando tem frio. É a minha sombra, segue para todo o lado, inclusive quarto de banho.
    Concordo que todos têm a sua personalidade, mas todos adoram e são agradecidos, à sua maneira, aos donos que os acolheram.

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