Vocês sabem que nós somos a favor da partilha, que vos encorajamos a perderem o medo e a mostrarem o que de melhor têm para dar. No entanto, como tudo na vida, esta partilha deve ser equilibrada e há coisas que devemos guardar para nós como um registo. Nem tudo o que nos marca deve ser partilhado, há coisas que devem ser guardadas no coração.
Desde que começámos o We Blog You que nos deparamos com pessoas que têm receio de partilhar, medo de se expor. No entanto, há quem sofra do síndrome oposto, onde partilham tudo, a toda a hora, sem peso nem medida, sem pensar no que estão a dizer. É fácil perceber o porquê, entre instagram, facebook, twitter, snapchat e todas as redes que usarem, é difícil perceber o que fotografar, quando fotografar e porque estamos a fazê-lo.

Nós apercebemo-nos que devido a este turbilhão de redes sociais, a gritarem para serem alimentadas, nós deixámos de fotografar só para registar, coisa que acontecia antes, quando as fotografias ficavam pelos álbuns ou pelas pastas dos computadores. Valham-nos os gatos e cães cá em casa, que são tão queridos que nos enchem a memória dos telemóveis e nos obrigam a registar momentos. Sim, nós também reduzimos a quantidade de footgrafias que fazemos só para nós, mas estes patudos não nos dão outra hipótese e deles temos milhares de fotografias e vídeos, só porque sim.
Quando nos apercebemos deste fenómeno, tomámos a decisão de que alguns hábitos tinham de mudar no nosso dia-a-dia, tínhamos de passar a registar jantares de família, passeios de fim de tarde, o por-do-sol que nos inspirou naquele dia, ou até mesmo desconhecidos num banco de jardim que nos deixaram de sorriso na cara.

Por vezes, na azáfama dos dias, esquecemo-nos da principal função da fotografia: guardar momentos no tempo e marcá-los no nosso coração. Por aqui, desde que nos apercebemos de que não estávamos a guardar momentos, fotografamos todos os dias, mesmo naqueles que não partilhamos nada em sítio nenhum.

E vocês? Têm este hábito de guardar fotos só para vocês? Ou se formos ao vosso instagram conseguimos saber tudo o que comeram na última semana? :p

6 respostas

  1. 🙂 Sou da categoria que não gosta de se expor demasiado, gosto só de tirar fotografias a coisas bonitas ou momentos bons para me lembrar mais tarde mas nem todos têm lugar no instagram e muito menos no facebook 🙂 No meu instagram há fotos de flores, de gatos, comida (não inclui todo o menu semanal) sítios onde estive e muito poucas selfies 😀 para recordar mais tarde

  2. Acho que o apelo à partilha é demasiado nos dias de hoje o que leva efectivamente a partilhar demais. Há coisas que são nossas, para guardarmos para nós, para voltarmos aos nossos álbuns e ao papel fotográfico. Até porque o que é bonito para nós pode não ser para os outros e pode nem ter interesse. É isso mesmo: há coisas que não são para partilhar. Bonito texto.

  3. Faço parte do grupo daqueles que só partilham o que lhes faz bem e o que é bonito/interessante para mim. Não partilho tudo o que como, apenas o que é apelativo aos olhos. Não partilho 1001 fotografias dos meus patudos, porque deles tenho imensas e isso não interessa a ninguém. Nem sequer tenciono que saibam tudo de mim. Acho que o meio termo é suficiente.
    Bom texto, como sempre. ^^

  4. Identifico-me tanto com este post! Hoje em dia, parece que todas as fotografias são tiradas com o intuito de serem instagramable, cenários bonitos, pessoas bonitas, toalhas de mesa e cozinhados dignos de um blog e muitas vezes me esqueço que o mais importante é fotografar os jantares improvisados com os amigos, as caracoladas feitas no terraço com a família, mesmo quando os pratos não combinam com os talheres. Adorei, é preciso que alguém nos lembre disto mais vezes!

    Blog | Talking Pickles

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