Hoje é sexta-feira e parece que o bom tempo está a chegar aos bocadinhos. Tenho pensado muito no tempo, no tempo que faz lá fora e no tempo que comanda os nossos dias. Lembro-me do que achava que ia ser quando tivesse 30 e, agora com quase mais 2 em cima, percebo que nada é como esperava na altura, e que é tudo tão melhor!

Hoje venho mostrar-vos um livro lindo, sobre o tempo, do Planeta Tangerina. Foi-me oferecido por uma amiga que o tempo levou para longe, mas que continua a fazer parte de muitas memórias boas, continua a deixar muitas saudades, e quem sabe um dia, este mesmo tempo, possa trazê-la aqui mais para pertinho, que é como quem diz o Porto 🙂

Isto de ficar crescido e ver o tempo a passar tem um lado muito estranho, principalmente quando não nos sentimos assim tão crescidos, quando continuamos a não querer levar a vida muito a sério, muito menos os problemas, e quando ainda queremos fazer tanta coisa. Mas sabemos que crescemos, que de facto estes já são mesmo os 30.

Já pagamos rendas de gente crescida, já fazemos o IRS, pagamos o IVA e não nos safamos da Segurança Social (porque já pensamos até na na reforma). Temos cuidados na alimentação e preocupamo-nos muito com o nosso bem estar.  O Natal já não são prendas, essas não nos interessam muito, preferimos os jantares à volta da mesa e a companhia daqueles que mais gostamos. As férias servem mesmo para descansar e de 3 meses passaram para 1, que ainda vai sendo distribuído ao longo do ano, porque agora ninguém nos dá as férias da páscoa.

Isto de ser crescido é mesmo deixar de dar valor a uma série de coisas para darmos a outras. Eu acho que apesar de me queixar muitas vezes, principalmente no dia de fazer o IRS (o sócio sabe e atura-me), sempre quis ser crescida, ter mais controlo da minha vida, ter a minha casa, os meus gatos e as minhas tralhas. Hoje tenho uma certeza, quem tem 30, 50 ou 50 e é feliz, já não quer regressar ao passado mesmo que o bilhete de volta fosse oferecido.
Neste livro bonito, aprendemos como o tempo muda muitas coisas, desde as rugas que nos acrescenta, aos tapetes que perdem cor. Nestas páginas percebemos que perdemos umas coisas mas ganhamos outras, que as bolachas ficam moles com o tempo mas o queijo pode ficar muito melhor.

Alguns livros ficam amarelos e o difícil torna-se mais fácil. Claro que aparecem outras coisas difíceis para resolver, nessas alturas desejamos ser crianças e invejamos os que só têm a preocupação de ir à escola e brincar, mas até estas coisas mais difíceis são resolvidas por nós, e ensinam-nos mais coisas ainda.

“Com o tempo, conseguimos ver o tempo. Com o tempo quase tudo passa.”

E é assim que vos desejo um bom fim-de-semana. Com um livro lindo para crianças e para adultos. Eu recebi-o quando fiz 30, e é dos livros mais bonitos que tenho em casa. Com um discurso ingénuo e fácil, faz-nos pensar em muitas, muitas coisas.

Bom fim-de-semana! 🙂
Raquel

Uma resposta

  1. Revejo-me completamente nas tuas palavras. Para o mês que vem faço 36 e ainda me sinto uma teenager. A pressão aumenta em coisas que deixam de ter tempo ( como ter um filho ) e começam as dúvidas a encherem-nos a cabeça. Bom fim de semana

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