No ano passado escrevi um post onde explicava o quão urgente era para mim começar a agir, em determinadas situações, em vez de esperar que alguém o fizesse por mim. Dou-vos um exemplo e começo já assim o post, sem muitos rodeios. Há uns meses, vinha eu a caminho de casa, olhei para o outro lado do passeio e vi um gato branco, a arrastar-se no passeio e a olhar para quem passava. Ele não estava bem, isso era claro, mas não houve ninguém a parar. Eu fiquei preocupada, atravessei a estrada e confirmei o que temia, o gato não estava bem, mal conseguia andar, respirar, e “pedia” ajuda. Larguei os sacos que trazia ali mesmo, liguei ao Francisco (que felizmente entende tudo e preocupa-se tanto quanto eu) e começamos logo a pensar em como o poderíamos levar dali para a clínica, porque estava em claro sofrimento.

Depois de eu ter parado e assumido o controlo e a responsabilidade da situação, não faltou quem parasse para meter conversa e saber o que se estava a passar. Se eu não estivesse ali assim, continuariam todos a andar, a passar e a esperar que alguém fizesse qualquer coisa, porque parar significava ter de ficar ali e resolver a situação até ao fim.
Esta história não acabou bem, já na clínica tivemos de colocar um fim ao sofrimento deste gato, mas descansa-me saber que não esperei que alguém fizesse o que eu podia fazer, a troco de algum tempo e dinheiro, e que reduzi o sofrimento de um animal que infelizmente não teve muita sorte.

Hoje o post é sobre o Silo, que está nestas fotografias, mas é outra vez sobre o fazer qualquer coisa porque, se os outros podem, nós também podemos. Quero contar-vos esta história na esperança de encontrar alguém que lhe dê um final feliz, e também na esperança de inspirar muitos a contribuir para o bem estar de todos, animais e pessoas, porque todos podemos ser solidários e ajudar alguém.

O Silo foi avistado a correr desorientado, aqui no Porto, e depois de se assustar umas quantas vezes com carros e pessoas escapou-se para o meio de uns arbustos, debaixo do Siloauto, e dali não saiu durante dias. Por ali foi deixada comida, água e uma manta, apesar de só vermos orelhas a espreitar de vez em quando e de sabermos que seria difícil aproximar-se de nós.

Estas fotografias não são bonitas mas resumem bem estas semanas. O Silo escondeu-se e passou uns dias sozinho sem confiar em ninguém. Passados esses dias confiou num sem abrigo que estava a par da situação e se disponibilizou a olhar por ele e a “guardá-lo” caso ele deixasse. Ficou por ali até ser entregue a uma senhora que connosco ia acompanhando a situação, e que infelizmente o levou directamente para o Canil Municipal (que ainda é de abate).

Fomos incapazes de deixar que os dias deste rapaz, que demorou tanto a confiar em alguém, acabassem no canil e daquela forma, e por isso fomos buscá-lo. Com a ajuda da Miacis, conseguimos um abrigo temporário para que tivéssemos tempo de entretanto arranjar um novo dono. A história foi publicada no meu facebook pessoal e as partilhas foram muitas. Foram tantas que me deixaram muito feliz, mas infelizmente não foram as suficientes para arranjar uma casa definitiva para o Silo. Nós tentámos encontrar o dono, de várias formas, mas a hipótese de abandono é a maior e por isso os resultados foram nulos.

Hoje decidi partilhar aqui esta história, porque sabemos que este cantinho chega a muitas pessoas e a várias casas. O Silo precisa de encontrar um amor para a vida, alguém que lhe faça companhia e que lhe dê mil motivos para voltar a confiar em humanos.

Este rapaz tem cerca de um ano, já foi vacinado e tem chip. Será esterilizado, já no dia 1 de março, e por isso será entregue a uma nova família sem aquelas despesas chatas que normalmente temos de ter com eles. Tem energia e adora brincar, é alegre e não precisa de muito. Já percebemos que entre um grande quintal ou companhia humana ele prefere a segunda, e por isso se houver amor e bons passeios será o suficiente para o preencher.

Se puderem partilhar esta história agradeço-vos do fundo do coração. Se estão a pensar em encher as vossas vidas de amor pensem na adopção e neste pequeno, posso garantir-vos que um animal em casa cura qualquer dia mau.
Por fim, desculpem-me os pedidos, principalmente às pessoas que já ouviram esta história duas ou três vezes, mas começo a ficar um bocadinho triste com esta história que não acontece.

Contam-se pelos dedos de uma mão os animais que ajudei, juntamente com o Francisco, de forma mais activa, algumas coisas foram pesadas demais e é por isso que admiro muito o trabalho de quem o faz diariamente.
As nossas associações são as melhores, fazem um trabalho que deveria ser facilitado pelo estado, e que deveria ter a participação de muitos de nós para ser menos pesado. Viver aqui não pode ser um acto isolado, temos de olhar para o lado, principalmente para aqueles que precisam ou que não têm uma voz.
O voluntariado, nas suas mais diversas formas, preenche corações e, acreditem, vale mais do que muitas idas às compras. Eu ainda faço muito pouquinho, serve-me para admirar muito mais quem o faz a sério, e faz-me ter vontade de não parar, mesmo que seja feito aos bocadinhos.

Obrigada por lerem coisas assim tão grandes 🙂
Fico feliz por saber que andam por aqui a ouvir-nos nas coisas mais e menos felizes.

Raquel

Uma resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.