10º edição, Porto, 2022

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Sobre viver sem plano nem destino


Eu não fui sempre assim, mas desde que tive de tomar as rédeas da minha vida, quando me tornei independente há 10 anos atrás, que me tornei um control freak. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que tudo tem um plano, tudo é organizado e tudo é planeado. Antes de cada decisão eu penso em todos os possíveis resultados, os bons e sobretudo os maus. Percebo como lidar com os maus e como fazer as pazes com qualquer uma das consequências. Assim não há surpresas, nem desilusão, nem expectativas e consigo fugir a corações partidos.

Não me lembro de viver sem um objectivo, sem tentar correr para o próximo passo e fazer tudo para subir mais um degrau. Lido desta maneira, nem parece uma coisa má, parece apenas ambição, daquela que faz bem. O problema é quando subimos o degrau e não damos espaço para nos sentirmos felizes, quando chegamos lá e já só pensamos no próximo degrau. Quando a nossa vida passa a ser vivida no possível futuro e não no presente. Quando a gestão de expectativas e do futuro nos deixa tão exaustos que damos por nós a fazer micro gestão. Quando enquanto estou com amigos, a minha cabeça viaja e planeia as próximas 5 coisas que tenho para fazer e fica obcecada com a melhor maneira de as fazer.

Eu cheguei a este ponto há 2 anos atrás, quando a vontade de partir o telemóvel cada vez que ele tocava se tornou tão grande que quase o mandei contra a parede. Na altura, descobri as maravilhas da meditação e percebi que os pensamentos não podem correr uns por cima dos outros, que é suposto acontecerem um de cada vez, com tempo de vida. O melhor exemplo que li é que temos de encarar a nossa cabeça como um rio lento onde, um a um, os pensamentos bóiam em fila, sem pressas. Quando assim o é, tudo é mais calmo e tranquilo. Deixei de ter ataques de raiva e fúria com tudo e nada. Consegui passar a aproveitar mais o presente, os meus amigos, o meu cão e o meu namorado.

As coisas pequenas ficaram resolvidas mas ainda estou a aprender a lidar com as coisas maiores. Neste momento não tenho um plano detalhado e traçado para o que quero fazer com a minha vida profissional. A única certeza é saber que quero continuar aqui, no WBY, a trabalhar lado a lado com a Raquel e a partilhar um pouco de mim convosco. No entanto, ainda não há um plano definido para o que quero que o WBY seja e em que direcção quero que ele se mova. Isso deixa-me em pânico, o medo de falhar deixa-me em pânico (daqueles com palpitações e tudo). Por outro lado, é preciso tempo para se definir objectivos concretos e desenhar um plano de ataque. Para crescer é preciso apanhar balanço, é preciso respirar fundo e não viver com medo.

Fazer planos para a vida com um aperto no estômago não é opção. Como tal, estou a tentar viver de sorriso na cara e ignorar o facto de estar a navegar à deriva. Estou a tentar aproveitar o mar imenso que me rodeia, absorver a sua calmaria para mais tarde decidir que direcção remar. Fazer as pazes com a noção de que não é possível controlar tudo na vida é mesmo difícil mas muito gratificante. Hoje, quando chegarem a casa do trabalho, não pensem muito e aproveitem a primeira hora para abraçar aqueles de que gostam e aproveitar em pleno, sem pensar em mais nada, o que a vida vos dá.
Obrigado por me lerem.

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