Durante este fim-de-semana recebemos mais uma mensagem de uma seguidora a perguntar como era isto de termos o nosso próprio negócio, de darmos o salto para trabalharmos para nós e lidarmos com estas coisas todas da incerteza, das oscilações de trabalho e salário.

São algumas as vezes que nos perguntam estas coisas e por isso, hoje, queremos falar disto convosco para que mais gente possa ouvir a nossa história e perceber, de forma muito resumida, o que nos aconteceu. Costumamos contá-la nos nossos workshops, hoje vamos contá-la aqui e esperamos que vos ajude de alguma forma ou que vos dê um empurrão se esse for preciso.

Estávamos os dois sem trabalho, despedimo-nos por opção mas não tínhamos um plano em mente, o plano era procurar trabalho e sermos mais felizes. Enquanto ele não aparecia decidimos dar forma a este projecto com o qual tínhamos sonhado muitas vezes, fazer workshops sobre design, fotografia, e criação de conteúdos. Assim nasceu o We Blog You, com um workshop no verão de 2012.

Ninguém nos conhecia, não tínhamos muito trabalho publicado e por isso podem imaginar que não foi fácil arrancar com ele. Tivemos 6 pessoas inscritas, 3 delas eram nossas amigas, e o lucro final foi de 60€. Não foi um caso de sucesso, mas nem assim ficámos com a sensação de derrota. Pensámos que ele tinha de ter acontecido, mesmo que fosse assim, para podermos perceber se funcionava e para termos material para o comunicar e assim fazermos novas edições.

Agendámos um novo workshop para Dezembro desse ano e a coisa não melhorou muito. Continuámos com 6 inscritos, desta vez nenhum era nosso amigo, mas estes valores não permitiam que alugássemos novamente um espaço e pagássemos um serviço de catering. Assim sendo, e como ele tinha de acontecer porque somos teimosos, decidimos dar a volta à questão e fazê-lo na nossa própria casa.

Se a ideia pareceu estranha, depois foi mesmo daquelas coisas que se entranha. A proximidade que se criava entre nós e as pessoas que participavam era grande, as pessoas sentiam-se bem, se calhar até se sentiam mais à vontade porque entravam num ambiente acolhedor e familiar. Os lanches eram feitos por nós e desta forma reduzimos custos e tivemos a oportunidade de fazer workshops mais pequenos, sem grandes despesas à mistura.

Esta situação arrastou-se até 2014. Podemos dizer-vos que pagávamos as contas com este nosso trabalho mas os meses eram muito instáveis e chegámos a pensar que isto não ia mesmo a lado nenhum. Trabalhávamos muito, o retorno era pouco, mas apesar disso nunca deixámos de fazer o que gostávamos. Se nos perguntarem hoje o motivo de tanta insistência, podemos dizer-vos que o que nos movia era simplesmente ACREDITAR.

Nós acreditávamos no trabalho que fazíamos, na diferença que causávamos na vida das pessoas que se cruzavam connosco, na necessidade de haver serviços como o nosso no mercado português. Acreditar em tudo o que fazíamos fez-nos aguentar 2 anos fraquinhos em termos de negócio mas cheios de aprendizagem, motivação e pequenas alegrias.

Depois destes dois anos, o nosso próprio blog começou a ter mais visitas, começamos a mostrar mais trabalho e a receber mais contactos, tivemos a sorte de redesenhar alguns dos blogs mais lidos de Portugal o que nos trouxe mais público e mais clientes.

Se foi fácil aguentar aquele início mais instável e assustador? Não foi. Quem nos aturava em casa sabia que estávamos muitas vezes mal dispostos por termos tanta pressão em cima, por fazermos um esforço tão grande e muitas vezes sem retorno, por sabermos que o dia de amanhã não podia ser controlado. No entanto, sempre acreditamos no que fazíamos e no que queríamos fazer, nunca duvidámos de nós e do que poderíamos conseguir e por isso nunca desistimos, mesmo quando o Fred tinha apenas 80€ na conta e estava a pensar fazer as malas e voltar para casa dos pais em Coimbra.

No próximo post sobre este tema vamos contar-vos mais sobre como demos a volta e fizemos do We Blog You um negócio rentável e que nos paga os salários no final do mês. No terceiro post sobre este tema vamos falar-vos do salto para o novo escritório e dos nossos planos para os próximos dois anos!

25 respostas

  1. Aposto que recebem este comentário muitas vezes mas, ultimamente, parece mesmo que me lêem o pensamento. Primeiro com o “adeus” ao facebook (na semana em que resolvi desinstalar a app do meu telemóvel) e agora com o primeiro de 3 posts que sei que vou adorar.
    Também me despedi e trabalho por conta própria e neste momento tenho sinto que tenho mesmo de perder a vergonha e comentar quem gosto, mostrar o meu trabalho a mais pessoas, e sair do buraco. Falar com pessoas que passam pelo mesmo e… este foi um dos primeiros passos.
    Ansiosa por ler o resto do vosso percurso.
    Um dia vão renovar a imagem do meu blogue/site/loja… enquanto isso, espero encontrar-vos num workshop.

    Vou ficar por aqui 😀

    1. Ler e perceber que somos muitos no mesmo barco ajuda muito! 🙂

      Enquanto esperamos por ti num workshop, prometemos que por aqui vao acontecer mais posts destes.

      Um beijinho*

  2. Despedi-me há um mês atrás por iniciativa própria. Também porque quero ser mais feliz. Continuo sem emprego, mas sinto-me mais leve e tenho feito uns trabalhinhos que me enchem o coração – apesar de não encherem a carteira. Se irei conseguir permanecer assim por muito tempo? Não sei. Mas quero, como vocês, ser resiliente e continuar a ser feliz.

    1. Um mês é muito muito recente mas parabéns pela força de vontade 🙂
      Pra nós foi um processo longo e de não dar para encher a carteira passou para dar para pagar contas e depois dar para viver… foi lento e gradual mas muito, muito recompensador!

      um beijinho *

  3. obrigada por terem tornado mais fácil a passagem por esta crise existencial dos 22 anos. deram-me mais esperança para acreditar que vai tudo correr para mim também! obrigada mesmo, mal posso esperar pelo resto. continuem a ser felizes assim! <3

  4. Obrigada pela inspiração e pelos textos sempre tão bonitos. É mesmo bom sentir que não estamos sozinhos nesta (constante) procura pela felicidade que às vezes nos leva por caminhos diferentes do que imaginávamos. Espero que daqui a uns tempos, num próximo workshop, também vos diga que segui o mesmo percurso! Um grande beijinho Raquel e Fred 🙂

  5. Estou nesse limbo. Num emprego que me preenche cada vez menos, a vontade de arrancar com um negócio próprio parece ganhar forma. Mas o medo de falhar é grande e também que quem compra não dê realmente valor ao que fazemos. Por um lado quero dar esse passo, mas estou tão bloqueada que nem um nome para o negócio consigo escolher :). Adorei o texto…aguardo ansiosamente os próximos.

    1. Olá Vera 🙂
      Bem sabemos que esse pulo é difícil e que a nossa sociedade nos diz que o caminho certo é termos um emprego, mesmo que ele não nos encha as medidas. Da nossa experiência, podemos dizer-te que e acreditas muito no que fazes, a tua paixão vai passar para tudo e contagiar quem te vê. Amor com a amor de paga e felicidade também.

      um beijinho

  6. Acho que nunca é tarde para dizer que gosto muito desse vosso trabalho. Obrigado por não terem desistido, são uma inspiração a vários níveis.

  7. Obrigada por partilhares a tua experiencia. De facto, é assustador pensar nesses dois anos instáveis por que passaram. A maioria de nós teria desistido, mas vocês continuaram e conseguiram passar a barreira. É muito importante mostrar que o empreendedorismo é algo fantástico mas que é muito duro. Que é preciso aguentar, lutar, acreditar e ir sempre à procura do crescimento. E temos de o fazer sempre com muita determinação e força!
    Muitos parabéns pelo vosso sucesso 🙂

    1. É isso mesmo, Rita. Não só acreditar e trabalhar (mesmo quando não parece ter futuro) como também sacrificar muito. Quando tudo é feito a pensar com o coração, nós acreditamos que o resultado só pode ser positivo.

      um beijinho grande e obrigado por nos leres

  8. Palavras que dão força! Eu ainda tenho muito medo de arriscar, mas sei que um dia vou dar a volta. Vocês vão ser sempre uma grande inspiração e ter participado num dos vossos workshops aqueceu meu coração para pensar que é possível ser feliz a fazer coisas bonitas. Vocês são um exemplo!

    1. Oh <3 Obrigado querida Fernanda! Ficamos felizes que te consigamos entusiasmar assim.

      Nós ficamos à espera da tua mudança. 🙂

      Um beijinho grande*

  9. Olá Fred e Raquel,

    já vos sigo à muito tempo e os vossos posts e partilhas são sempre inspiradores mas este de facto é especial. Tenho actualmente um trabalho das 10h às 18h, estável, num sítio algo inspirador mas que podia ser mais, muito muito mais. Há já algum tempo que me sinto estupidamente desmotivada cada vez que vou trabalhar, muitas vezes não tenho muito que fazer e sempre que tenho sinto que não me preenche. Se por um lado o peso das contas e responsabilidades ainda não me fez desistir desta rotina, o facto de não estar feliz com algo que ocupa metade do meu dia praticamente todos os dias tem estado no meu pensamento a maior parte dos dias. Chego a ficar ansiosa cada vez que acabam as folgas e sei que tenho de voltar ao trabalho. Ler-vos e ver-vos é sempre uma lufada de ar fresco, boost de motivação. Sei que mais cedo ou mais tarde uma mudança irá acontecer 🙂 Obrigada por todo o amor com que preenchem todas as vossas partilhas, sinto-me muito grata. beijinhos

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