Quem recebeu a nossa Newsletter sabe que deste lado voltámos a ser dois. O Fred esteve a tomar conta do barco nos últimos 6 meses (seis!!!) e agora, depois de um verão bem longo, estou de volta ainda que nada seja como antes. Quando escrevi este post sobre o meu burnout, que a minha psicóloga chamou logo de depressão, as mensagens públicas e privadas foram tantas que me fizeram perceber que de facto este é um problema dos nossos tempos e que não vale a pena fingirmos que está tudo bem, só vai piorar as coisas e fazer-nos chegar a situações limite.

Não está tudo bem comigo, na verdade nunca vai estar, todos temos dias bons, dias menos bons, fases boas e fases más, mas sinto que estou muito longe daquele sítio onde estava em Abril e por isso está tudo bem!

Nessa altura, e nos meses anteriores, estava sempre tudo mal apesar do meu esforço para ser positiva e estar grata pelas coisas que tinha. Hoje, quando fico triste o meu trabalho de casa é, ao contrário do que antes acontecia, não fugir desta tristeza. Dizer-lhe um olá e perguntar-lhe porque anda ela aqui. Parar e entender o que nos deixa tristes dá-nos a capacidade de olhar para as emoções com uma distância maior, como a de quem está a observar e não de quem está a sentir, e isso para mim tem feito toda a diferença. Podemos até aprender a passar-lhes por cima com mais facilidade, ou aceitá-las e continuar porque estar triste também tem de ser normal.

Estive de abril a julho a terminar o curso de Design de Interiores e depois disso tive 45 dias de férias a sério, sem nada para fazer a não ser aturar os meus gatos, tratar da casa e ler os livros que andam aqui em pilhas. Em Setembro, recomecei o trabalho e pelo meio fiz uma pausa de uma semana e fui ali a Itália comer gelados para me despedir a sério deste verão.

O melhor presente que dei a mim mesma foram estes últimos meses de pausa. Valeram mais do que pares de sapatos, vestidos, móveis caros cá para casa ou novos telemóveis que poderia ter comprado. Nem toda a gente pode parar assim, por vários motivos, mas quem está no limite tem de pensar nisto. E, como já me disseram várias vezes, parar para entender quem somos e conhecermo-nos melhor, não é parar, é o maior de todos os trabalhos e aquele que muitos de nós ignoramos.

Vou escrever-vos mais vezes mas hoje quis só dar um olá e dizer-vos que estou bem. O recomeço está a acontecer devagar e está a saber-me pela vida esta falta de correria. Claro que não estou com a vida resolvida, todos temos problemas e vamos continuar a tê-los. Quando resolvemos uma coisa, aparece outra que nos dá trabalho, mas ver-me livre daquela angústia enorme, conseguir pensar e fazer coisas, ainda que mais devagar já me deixa muito feliz. Hoje sei que não tenho de ser perfeita em nada, nem no trabalho. Tenho de dar o melhor de mim, se não for o suficiente paciência, vou comprar flores. Propus-me a fazer uma mudança grande nos meus dias e na forma como os vivo, vamos ver o que consigo fazer com estes meus planos 🙂

Os dias não são todos bons mas há coisas que me deixam tranquila e é bom saber que posso contar com elas.

TERAPIA
A minha psicóloga é assim a melhor coisa que me apareceu na vida. Sem ela teria sido tudo bem mais complicado, com ela é tudo mais leve e simples. Quem tem vontade mas algum receio para começar tem de ir mesmo. Mas, se não tiverem a sorte de encontrar alguém com quem se sintam bem, não desistam e batam na porta seguinte!

FLORAIS DE BACH
Foram-me receitados há uns dois anos e ficaram esquecidos na gaveta. Hoje tomo-os e não sei se fazem bem, mas sei que mal não fazem. São óleos naturais extraídos de flores. Esta mistura é específica para quem entra em ansiedade quando tem várias coisas para resolver e é suposto deixarem-nos calmos para lidarmos bem com tudo. Há imensos e agora que olhei para eles com calma apetece-me comprar vários! Alguém sabe mais sobre eles ou coisas idênticas?

CASA E TEMPO
As coisas que antes fazia, como ir ao pão e voltar com os braços carregados de plantas, voltaram a acontecer e parece que estou assim a acordar de um sono bem longo onde fui só uma máquina. Agora sei que preciso disto e que preciso de mais flexibilidade em tudo na vida. Preciso de voltar aos anos em que comecei a trabalhar em casa, a sentir outra vez esse espaço físico e mental, e a aproveitar as coisas boas que tinha antes do We Blog You crescer e deixar-me sem tempo para respirar.

 

Espero-vos bem! Principalmente aquelas pessoas que estavam perdidas como eu. E espero vir aqui mais vezes escrever-vos e mostrar as minhas fotografias manhosas (já ando com falta de prática) porque estas coisas são as que me fazem bem 🙂

9 respostas

  1. Sê bem vinda de volta, Raquel! Gostei muito de ler e desse teu retrato com o miau! Que a vida te dê muitos motivos para continuares a sorrir! Esses patudos são com certeza um deles! 🙂
    Adoro design de interiores, por isso acho uma área bem interessante para fazer formação e tu com certeza tens muita sensibilidade para isto, até porque tenho acompanhado os projectos que tens partilhado!
    E as fotografias são tudo menos manhosas! São bem bonitas! 😉

    Um beijinho,

    Sofia Garrido • Photographer | Blog

    1. Obrigada, Sofia 🙂
      Sim, eles arrancam-me muitos sorrisos e foram grande parte da terapia 🙂

      Vou partilhar mais coisas de interiores!
      Um beijinho!

  2. Querida Raquel, parabens pela coragem de falares sobre o “elefante na sala”. Se todos tivessem essa coragem o mundo seria, com toda a certeza, um sitio melhor! Um beijinho grande e um bom recomeço!

    1. Querida Nair, obrigada!
      Às vezes ainda fico com um nó na barriga antes de publicar mas, acaba por ser mais simples quando não escondemos coisas, principalmente aqui.
      Um beijinho grande!

Responder a Helena Alves Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.