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Quando deixamos de adiar-nos todos os dias

 

Desde 2018 que quero muito recomeçar a desenhar e a pintar. Tenho uma profissão criativa, vocês sabem que sim, mas que na realidade vive sob demasiadas normas e regras. Temos os briefings que por si só já nos conduzem numa direção ou noutra e que condicionam todos os nossos trabalhos. Tudo isto é natural no Design, mas faz com que também precisemos de coisas que nos façam ir para outro lugar e que nos deixem descansar.

O facto de eu ter de desenhar, quase diariamente, na minha profissão, fez-me deixar esta prática noutros espaços e com outros objectivos e hoje sinto uma falta enorme de fazer qualquer coisa que pareça meditação, por estar tão conectada comigo e que possa acontecer sem a existência de clientes, prazos e objectivos.

Nos meus planos estavam aulas que me obrigassem a sair de casa para finalmente recomeçar. Encontrar pessoas diferentes e ter um tempo em que teria mesmo de me agarrar aos pincéis era a solução. Planeei começar aulas no final do ano passado mas, por ter passado tanto tempo sem fazer dinheiro, não foi a melhor altura para gastar aquilo que não tinha. Todo o meu foco agora é o de voltar a trabalhar, ganhar dinheiro e poupar o que conseguir para poder voltar a respirar.

Como não são precisas aulas para recomeçar disse sempre que o ia fazer em casa mas, apesar desta vontade que ocupa cada vez mais espaço em mim, não o faço. Recomecei a fazer muitas coisas que já não fazia, como mudar coisas cá em casa, voltar a pensar nos quadros da parede, nas plantas e nas estantes dos livros, voltar a ler como antes, voltar a almoçar devagar e ao sol, sempre que ele aparece. Voltei a ter a casa em ordem e as mínimas tarefas domésticas em dia. Apesar disto tudo não comecei a pintar e já lá vamos no dia 15 de janeiro de 2019!

Adiamos a vida quando o medo é errar
As coisas que queremos muito fazer, e que sempre fizeram parte de nós, acontecem naturalmente. Quando eu vivia sozinha num quarto, sem redes sociais e sem uma alminha que conhecesse o meu trabalho, eu fazia tanta coisa e tudo sem medo. Era capaz de passar horas e horas a desenhar, a pintar, a fazer colagens, a coser ou a moldar pastas para fazer o que quer que fosse. Este gosto pelas coisas manuais e pelas coisas bonitas foram decisivas quando tive de escolher o meu percurso académico. No entanto, hoje parece que há um travão e demasiada crítica sobre mim mesma e não faço nada de nada que seja um risco e que possa correr mal. Não faço porque já sei que não vai ficar perfeito e nem quero lidar com isso. Se tivesse a garantia de que ia correr bem metia já as mãos na massa. Este problema em lidar com a imperfeição é o meu maior inimigo.

 

Não avançamos porque somos os nossos maiores críticos
Hoje tenho consciência que não faço mais porque não vou ficar logo orgulhosa do resultado final, e se não for assim tão bom não vale a pena perder tempo a fazê-lo.

Hoje vi um vídeo umas três vezes que me fez pensar nisto de outra forma.

Não temos de mostrar nada a ninguém e podemos fazer tudo o que quisermos. Se eu recomeçar a pintar ninguém tem de saber ou ver o que saiu destas mãos enferrujadas e cheias de insegurança. Não temos de seguir fórmulas ou imposições de ninguém, nem nossas.

 

Precisamos de tempo para pensar mais e fazer menos
É quase impossível criar quando andamos numa correria. O tempo de qualidade, sem pressas, sem grandes objectivos, sem metas, sem imposições é o mais valioso e o que pode trazer mais coisas boas.

Hoje ninguém tem tempo e acho que na verdade toda a gente sabe que é até naquelas horas de aborrecimento que surgem as melhores ideias. Hoje limitamo-nos a fazer e a fazer, a produzir sem pensar e a criar conteúdos em muito semelhantes ao que o nosso vizinho cria. Estamos num tempo de produção, e tanta produção não deixa espaço para aborrecimento, pensamento e verdadeira criatividade.

 

Não temos de mostrar tudo ao mundo
Podemos fazer coisas maravilhosas e mostrá-las a todos ou podemos fazer qualquer coisa só porque sim e guardá-la até na gaveta. Hoje valorizamos demais a exposição e tudo o que produzimos, e isto deixa-nos um peso enorme em cima. Eu sei que não funciono com este peso. Foram demasiados anos bloqueada por causa das minhas críticas e das que poderiam vir dos outros. Não temos de ser todos iguais e não temos de fazer tudo da mesma forma. Temos de fazer coisas por nós, para nos sentirmos nós mesmos e cada vez mais leves e felizes.

 

A nossa profissão não nos define
Se hoje não conseguirmos ser aquilo que queríamos profissionalmente, sentimos que não estudámos o suficiente, que não trabalhámos as horas extra que eram necessárias, e pomos o peso do fracasso todo em nós. Mas a verdade é que nem sempre depende de nós. Às vezes a sorte e as circunstancias não estão mesmo a nosso favor e está tudo bem com isso.
Podemos ser tudo o que quisermos no tempo que conseguirmos tirar para isso. Temos de ser inteligentes e sensatos o suficiente para percebermos como podemos viver fazendo aquilo que mais gostamos, mesmo se tivermos de dispensar umas horas do nosso dia para trabalhar e pagar contas. Se isso significar ganhar menos para haver mais tempo livre, podemos perceber do que podemos abdicar para fazer aquilo que mais gostamos.

Resolvi mostrar o vídeo, lá em cima, para que dê a alguém o empurrão que me deu a mim. Nem que tenha servido para me fazer pensar já valeu a pena. Também me deu vontade de voltar a ir com o Fred visitar casas de criativos, como fazíamos antes e que resultaram em posts tão bonitos!

Antes fazíamos as segundas de inspiração, hoje é terça mas acho que ainda vale 😉
Boa semana, pessoas queridas, e desculpem-me o texto enorme!

Comments

  • Carolina

    Reply

    Olá Raquel! Obrigada por estas palavras, podia ter sido eu a escrevê-las. Também eu tenho uma empresa na área criativa e parece que nunca tenho tempo para a minha verdadeira paixão: a ilustração. Com as horas a mais no trabalho, tarefas domésticas e tudo mais que há para fazer no dia-a-dia, não sobra tempo nem energia. Passo meses sem pegar num lápis ou num pincel e todos os dias me sinto culpada de não estar a evoluir no que realmente gosto de fazer. Obrigada por me lembrares de mim e por me dares o empurrão que estava a precisar. Gostei muito do video! Beijinhos

    Janeiro 15, 2019
  • Carlinha

    Reply

    Que lindo, Raquel! E que inspirador.
    És, assim como o Fred, uma inspiração para mim! Nunca se esqueçam disso.
    Um beijinho e continuem a partilhar artigos tão bons quanto este.

    Janeiro 21, 2019

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